Esquecer de tomar um medicamento psiquiátrico pode acontecer com qualquer pessoa. Rotinas corridas, dificuldades de memória, mudanças de horários ou até mesmo os efeitos do próprio tratamento podem contribuir para isso.
Quando acontece, é comum surgir a dúvida: “E agora, o que eu faço?”
Neste texto, vamos falar sobre o que fazer quando uma dose é esquecida, os cuidados ao consultar a bula e como identificar o que pode estar dificultando a rotina de medicação.
Esquecer uma dose pode acontecer. Mas não é seguro improvisar: cada medicamento possui uma orientação específica sobre o que deve ser feito.
Se você esqueceu uma dose, não precisa ler a bula inteira procurando uma resposta. Procure especificamente a seção “O que devo fazer quando eu me esquecer de usar este medicamento?”.
Não tente “compensar” tomando uma dose maior. A orientação sobre a dose esquecida varia conforme o medicamento.
Em muitos casos, a orientação é tomar quando lembrar, desde que não esteja próximo do horário seguinte; em outros, é recomendado simplesmente pular a dose. Por isso, a bula e a orientação do profissional que acompanha o tratamento são fundamentais.
Ler a bula é importante, mas é preciso cuidado para não interpretar as informações fora do contexto. A bula apresenta as indicações, efeitos colaterais, contraindicações e outras informações sobre o medicamento. Mas ela não explica, necessariamente, por que aquele medicamento foi prescrito para você.
Por exemplo: uma pessoa pode receber um antipsicótico para uma determinada finalidade e, ao ler na bula que o medicamento também é utilizado no tratamento da esquizofrenia, concluir que recebeu uma prescrição “para esquizofrenia”. Essa conclusão pode estar equivocada.
Leia a bula para se informar, não para diagnosticar a si mesmo. Se alguma informação causar dúvida ou preocupação, converse com seu médico ou farmacêutico antes de tirar conclusões ou alterar o tratamento por conta própria.
Por isso, foque nas orientações sobre o que fazer quando esquecer de tomar o medicamento.
O esquecimento pode ser um problema de rotina, mas também pode ser um sinal de que alguma coisa no tratamento precisa ser investigada. Pergunte a si mesmo:
Fatores como efeitos colaterais, medo de dependência, resistência ao uso, dificuldade de compreender o tratamento, desorganização e interrupção do tratamento ao se sentir melhor podem influenciar a adesão aos psicofármacos.
Para algumas pessoas, manter uma rotina de medicação diária pode ser difícil, especialmente quando é necessário conciliar horários, lembrar das doses e incorporar o tratamento à rotina de todos os dias.
Para pessoas neurodivergentes, esse desafio pode se somar a dificuldades relacionadas às funções executivas, à memória, à percepção do tempo, às mudanças na rotina e à organização.
Esquecimentos podem acontecer por diversos motivos e não significam necessariamente falta de responsabilidade ou de compromisso com o próprio tratamento. O mais importante é entender o que está dificultando essa rotina e buscar estratégias que tornem o uso da medicação mais simples e consistente.
Se você se sentir confortável, pessoas próximas podem saber quais medicamentos você usa, em quais horários, quais efeitos você costuma apresentar e o que fazer caso aconteça alguma situação inesperada.
Tomar medicamento corretamente não é simplesmente obedecer a um horário. É entender o tratamento, ter acesso a ele, conseguir incorporá-lo à sua rotina e poder conversar sobre as dificuldades que aparecem no caminho.
Importante
As orientações para uma dose esquecida variam de acordo com o medicamento. Não tome uma dose extra, não altere a dose e não interrompa o tratamento por conta própria. Consulte a bula do seu medicamento e, em caso de dúvida, procure orientação do farmacêutico ou do profissional que acompanha seu tratamento.